Desemprego: Manual de sobrevivência, você também pode precisar.

[column size=”one-third”]foto[/column]

[column size=”two-third” last=”true”]

Economia ruim, política pior ainda, guerra iminente, tensão no planeta. E no meio desta conjunção cósmica negativa, você ainda perde o emprego. É o fim dos tempos, o mundo acabou…

[/column]

Sabe o que você deve fazer agora? Nada. Ou quase nada.

As experiências de uma pessoa demitida podem ter duração mais curta ou mais longa, simultâneas ou não, conforme a maturidade, momento e capacidade de reação de cada uma, mas no geral envolvem:

– Crise de competência: mesmo esperando, você não esperava. Esta é uma sensação típica, o “baque” acontece e você questiona “Por que eu?”. Pode ser competência, corte de custos, economia, qualquer coisa, a pergunta sempre se volta a você. Mesmo que tenha feito um acordo para sair, há o questionamento interno se fez a coisa certa ou porque não recusaram. Não se martirize, pois isto não mudará a situação. Neste momento acabou o fit, a conexão e não importa de que lado ou então ficar imaginando que é porque você não tem valor. Primeiro respire…

– Falta de rumo: na primeira semana, acordar sem ter para onde ir, sem ter horário, rotina, vai oscilar entre a euforia e a depressão. Tudo isto é, no mínimo, esquisito. Seu corpo estava acostumado, havia um ritmo que foi quebrado. Por vezes se sentirá inútil, fútil, entediado… não estou produzindo, ninguém me valoriza, todos me olham torto… Desempregado eu? Não! Disponível com minhas habilidades para o mercado… Chame como quiser, mas não se desespere e respire novamente…

– Hiper atividade: para acabar com a falta de rumo e a sensação de não estar fazendo nada, você inclui seu último cargo no currículo desatualizado, ajusta sua idade e aciona todo o seu network. Milhões de e-mails, ligações, reuniões, cafés, almoços, encontros. Fora os head hunters, sites de emprego, outplacement e tudo mais que puder fazer para se colocar na ativa. Estratégia incorreta. Pare já e ouça…

– Pressão imposta: a família nem sempre ajuda. O apoio moral nesta hora, pode minar sua estima e transferir uma pressão absurda e um nível de cobrança que não são necessários para resolver a questão. “Calma, você vai conseguir algo logo, é super profissional”. Então passam-se os dias, semanas, meses e até um ano todo e você pode não conseguir a recolocação. Isto não te transforma em lixo… E mesmo que a família não diga absolutamente nada, você pode se cobrar demais. Planeje-se…

– Bipolaridade do ócio: Organiza as gavetas, o guarda-roupa, o álbum de fotos, conserta coisas da casa, fica horas vendo maratona da série favorita na TV, não consegue se concentrar num livro, sai e se dá um presente caríssimo ou cancela tudo que tem e aperta o cinto 100%, não sobrando nem permissão para um cafezinho na padoca… Acalme-se…

Considerando adicionalmente que estamos no final do ano, você deveria considerar coisas diferentes para só então agir.

Pode acontecer, mas é pouco provável que ocorra contratação neste final de ano, já que temos pouco menos de 1 mês útil até o Natal. Então é hora de se preparar e planejar a ação, pois a única certeza que terá, a não ser que tenha ganho na loteria, é que este período de “ócio demissional” vai acabar.

Vamos as dicas:

1 – Olhe para seu bolso. Se você fez reservas ao longo do tempo, vai conseguir passar por este período com muito mais tranquilidade do que às pessoas que precisarão pagar as contas dos próximos meses e não têm recursos extras. Infelizmente neste caso, a capacidade de negociação ficará mais prejudicada pela ansiedade e nervosismo da situação, e não é raro pegarem logo a primeira oportunidade que apareça. Nenhum mal nisto, afinal, cada um sabe onde “aperta o calo”, só não se engane, pois nem sempre será o emprego desejado. Se tem alguma reserva, avalie o que realmente precisa cortar e reduzir para ficar mais seguro e confortável: Precisa mesmo tirar as crianças da escola agora? Não é melhor reduzir outros gastos? Tem mesmo que cancelar a viagem de férias do final do ano para “fazer economia”? Precisa mesmo vender o carro imediatamente? Não faça nada no impulso, racionalize, faça contas e tome decisões pensadas.

2 – Não saia atirando para todos os lados. Acionar todo o seu network na primeira semana não é produtivo, você não está preparado para isto e vai gastar oportunidades de contato valiosas. Aproveite para fazer uma profunda reflexão sobre sua vida, carreira, rumos, desejos e aspirações. Suas ações até agora o aproximaram ou o distanciaram de seu objetivo? Ter a visão de onde se quer chegar e o que é necessário ter ou fazer para alcançar isto ajuda nas escolhas que precisará fazer agora. Muitas vezes nos deixamos atolar pelo dia-a-dia e não paramos para ver o que estamos construindo, que caminho estamos trilhando, como isto nos completa e satisfaz. Ótimo momento para esta reflexão.

3 – Compreender e decidir. Se optou por voltar ao mercado de trabalho, então refaça seu currículo. Não basta incluir suas últimas realizações e atualizar seu cargo e endereço, é refazer. Passar por cada experiência e realização reescrevendo-a com o foco do seu objetivo futuro, como aquilo que viveu contribui com o que se propõe a fazer no futuro? Como sua história toda se complementa? E, principalmente, o que faz de você realmente único? Todo mundo sabe o que se espera de um gerente de vendas, mas o que faz você ser “O” gerente de vendas? Aquele que faz as coisas de um jeito único, particular, só seu? Sua marca, seu estilo, sua competência principal?

Se optou por empreender: reavalie de novo, não pegue todas as suas economias e compre uma cafeteria, uma franquia, etc. Planeje duas para executar só uma vez. Empreender não é simples, nem fácil. Exige uma super dose de coragem, várias competências, estudo profundo do cliente, mercado, administração de variáveis (fornecedores, segmento, etc), além de estômago, resiliência e um plano estruturado e sólido para que o negócio tenha chance de vingar. Não basta só ter o dinheiro ou só a ideia, é uma mudança de vida, com muito mais reponsabilidades e dedicação do que apenas o sonho de “não ter mais chefe”.

Se optou por não trabalhar mais: nada de errado. Ao optar por isto, ou tem alguém que o suporte, ou tem reservas suficientes ou vai largar tudo e viver de solidariedade. A decisão é sua, e se for bem pensada, ela te fará feliz, trará completude e você vai estar tão ocupado com tantas coisas decorrente desta decisão que não ficará perdido. Pode ter decidido ser estudioso, e terá muito que pesquisar, ser mãe ou pai em tempo integral, e a rotina dos filhos é cheia de tarefas, pode virar bon vivant e terá milhões de compromissos sociais. Tudo é uma questão de possibilidades avaliadas e decisões tomadas.

4 – A missão. Agora que já sabe o que quer, monte o plano para atingir seu objetivo. É nesta hora que os gastos precisam ser avaliados à luz das suas metas, que as mudanças precisam ser feitas para direcionar esforços para o lugar certo. Seja qual for sua decisão, foco é tudo.

E como é final de ano, tem tempo para rever tudo com calma, sem a afobação que geralmente nos faz tropeçar. Além disto, tendo sido forçado ou não, é um ótimo momento para reavaliações. Esteja você desempregado ou não.

 

Abs, e não deixe de aproveitar a vida.

Sobre a autora:

Glaucia Miyazaki – parceira RH|PM

Sou executiva e Coach com mais de 17 anos de experiência profissional no chamado “Mundo Corporativo”, atuando em cargos de liderança e diretoria das áreas de Marketing, Vendas e TI de diversas empresas mercado. Publicitária formada pela ESPM/SP, Pós-graduada em Administração e com MBA em Gestão Empresarial pela FGV/SP. Vivenciei de tudo: de pequenas familiares a gigantes varejistas, de Entretenimento a Telecom, de Start-ups a falimentares, de serviços e de produtos, de organizadas as sem muitas regras…Tenho uma abordagem mais holística sobre a gestão e seu papel e sou conhecida pela forma franca e direta de me expressar. “Quando me pedem um feed-back, já vou logo perguntando: Com ou sem açúcar?”.

Além disto sou mãe (dois lindos meninos), mulher, esposa, estou trabalhando em um livro sobre Gestão e adoro cozinhar.

Crédito de Imagem: portalinho.com


0.00

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *